domingo, 14 de setembro de 2008

CARA B – Jorge Drexler


Uma voz aveludada, um violão marcante, um tom intimista, não, não estamos falando de Bossa Nova e sim desse uruguaio que ficou famoso por ter conseguido o mérito de ganhar o primeiro Oscar de melhor canção em espanhol pela música Al Otro Lado del Río, do filme Diários de Motoclicleta dirigido por Walter Salles. Esse disco duplo ao vivo em especial é bem intimista e foi gravado ao longo de sete concertos e contém aquilo que se chama o lado não tão comercial do artista, mais difícil de ser compreendido, o lado B das nossas saudosas bolachas de vinil. No primeiro disco podemos ouvir aquelas músicas que não fizeram tanto sucesso na sua carreira, mesmo tendo qualidades mais do que suficientes para estar também no lado A. já no segundo disco, podemos ouvir Drexler interpretando Caetano ( Dom de Iludir), Leonard Cohen e músicas do Kiko Veneno, um catalão pouco conhecido por aqui, mais muito cultuado na Espanha. De resto é aquela melancolia latina, que está presente em quase todo o disco. Vale a pena abrir os ouvidos e ouvir mais de uma vez esse excelente cantor, compositor e violonista de mão cheia.

domingo, 27 de julho de 2008

MINI CONTOS URBANOS - II


O Buraco da Barata

Ele entrou e começou a olhar pelos cantos, meio perdido. Suas roupas, seus adereços, seu modo de andar e agir, denunciavam a sua origem.
Onde que desce…cadê?…ôxe...
- Amigão, não é aqui, não…você tá no bar errado. É aquele ali do meio, ó.

Ele foi até lá. Estava ansioso para descer. Chegou e foi logo perguntando “é aqui o buraco da barata?” . A moça do balcão indicou a escada num dos cantos do bar.
- Pode descer que o forró tá rolando…

Ele mais do que depressa desceu as escadas. Seu nariz respirou o cheiro acre, abafado, cigarro misturado à umidade do porão. Um ar familiar que reconfortou o seu coração. Lembranças. Pouca luz, som alto, alguns pares dançando no salão.

Seus olhos demoraram alguns segundos para se acostumar com o ambiente. Faces mau encaradas, semblantes tensos, rostos desgastados pelo tempo. Foi até o balcão e pediu uma branquinha. Bebeu numa talagada só.

Ela estava lá, sozinha no canto, o ar perdido, olhando para o globo de luz. Colocou sua melhor roupa, caprichou na maquiagem e no perfume. O reencontro prometia. Havia tempo que estava na espreita, com as antenas ligadas, no canto, esperando o seu momento.

Ele a viu, se aprumou e foi se aproximando como quem não quer nada. Foi arrudiano e sussurrou algo no seu ouvido. Ela sorriu. Ele a puxou e levou para o meio do salão. Dançaram em meio ao cheiro de suor que se misturava aos perfumes baratos usados sempre de forma exagerada.

A Ema gemeu no tronco…enquanto o forró comia solto, com o baixo da sanfona marcando o ritmo junto com o triângulo e a zabumba, ele pensava que o emprego na obra veio em boa hora. Com a graninha que ia entrar agora, já podia levar a Dinalva pra morar com ele.

- Vamo Zé, já tô cansada..
- Vamo pra onde, muié?
- Pra sua casa, ôxe…

Ele abriu um sorriso e entendeu o recado. Sabia que a sua hora tinha chegado e que finalmente iria sair daquele buraco.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

APOCALIPSE NOW


De acordo com as profecias de Nostradamus ou mesmo as referências contidas na Bíblia, a humanidade já deveria estar extinta. Como ainda estamos habitando este planeta azul que a cada dia se torna mais cinzento, estamos no lucro.

Que passamos por uma crise é inegável e o novo arauto do apocalipse é o calendário Maia, que diz que o planeta Terra vive o final de um grande ciclo que termina em 2012. Na tradição Hindu dos Vedas também há essa previsão. Os reflexos são a falta de tempo, o desenvolvimento acelerado dos processos tecnológicos que ficam obsoletos tão rápido quanto são alcançados, a violência nos grandes centros urbanos, a desigualdade social, a intolerância religiosa, o terrorismo, que coincidem com o final de uma espiral evolutiva. Mas a profecia Maia não se trata do fim do mundo e sim da RENOVAÇÃO do mundo. Fim e Renovação são muito diferentes e ninguém vai morrer, nem o mundo vai acabar.

Em sua música “Sociedade Alternativa” datada dos anos 70, Raul Seixas sinaliza que esse tempo chegaria, baseado nos textos do escritor ocultista britânico Aleister Crowlei. Um modo de vida alternativa, uma visão alternativa que compreende um novo tempo.

Um dos indícios mais marcantes dessa transformação que está por vir é a aceleração do tempo. Segundo pesquisas, a aceleração do tempo está encurtando os nossos dias em torno de 50%, em função do aumento da freqüência vibratória do planeta Terra. A sensação psico-mental que temos é de cerca de 12 horas, mas na verdade é equivalente a 24 horas, de onde vem aquela sensação de que o tempo está passando muito rápido, que não dá mais tempo para terminar tarefas que antes podiam ser feitas em tempo menor.

A vibração planetária começou a acelerar a partir de 1971 e hoje está em 33 ciclos por segundo e um dia que tinha 24 horas passa a ter somente 13 horas e 12 minutos. Mas e os relógios? Por que não marcam essa diferença? Todas as pessoas recorrem ao relógio e constatam que não há nada de errado com o tempo. A sensação de que o tempo está passando rápido acaba sendo encarada como ilusória. O relógio mede a duração do tempo e como ele mediu 24 horas exatas na virada de um dia para o outro, inclusive com as referências do dia e da noite, nada está errado, tudo não passa de falsa impressão.

Alguns místicos afirmam que o tempo, nesse início de século está andando mais rápido, porque a Terra está girando em torno do seu eixo imaginário com maior velocidade. Afirmam também que as partículas subatômicas estão vibrando numa freqüência maior e que o nosso planeta já está a meio caminho da quarta dimensão.

A explicação “física” para os relógios é que se a Terra está girando mais rapidamente, isso afeta a gravidade e, por conseguinte, o mecanismos dos relógios automáticos que funcionam em fórmula de pêndulo, ficando mais leves e, consequentemente, mais rápidos, compensando o tempo. O mesmo fenômeno acontece nos relógios eletrônicos e nos atômicos, que são constituídos de materiais susceptíveis de alteração com a aceleração das partículas subatômicas. Daí, conclui-se que os relógios estão nos dando uma informação que é relativamente correta, porém absolutamente falsa. O descompasso entre as nossas atividades e o tempo disponível é o maior indicativo desse fenômeno. Ninguém consegue acelerar sua capacidade de trabalho para acompanhar a aceleração do tempo que é contado nos relógios. O nosso lado esquerdo do cérebro, tão cheio de razão, não consegue com sua lógica entender o que está acontecendo. A nossa percepção de que algo está errado é aguçada pelo hemisfério direito, onde reside a intuição, a criatividade, as emoções.

Quem tem filhos pequenos e adolescentes pode observar esse fenômeno da aceleração no comportamento deles. As músicas que ouvem são cada vez mais aceleradas, marcadas pelo “bate estaca”, fazem cinco coisas ao mesmo tempo, como se tivessem conhecimento de que o “tempo” está sendo roubado. Eles procuram aproveitar ao máximo essa nova realidade e abrir os campos da percepção e absorver tudo o que o universo está oferendo. O fim desse ciclo, que segundo as últimas profecias acaba em 2012, deve levar à renovação, um apocalipse diferente daqueles profetizados desde o início dos tempos. As gerações que estão nos substituindo poderão ter uma nova perspectiva, uma nova dimensão para viver, diferentemente da que vivemos até hoje.

sábado, 5 de julho de 2008

MINI CONTOS URBANOS - I



No Farol

Faltavam quinze minutos para a nove da manhã. No dia anterior tinha chovido bastante e o céu estava bem limpo, com o Sol aquecendo a manhã. Eu subia a Campinas em direção à Paulista. Não costumo fazer esse caminho, a Paulista está sempre cheia, ainda mais agora com as reformas das calçadas e do canteiro central.

Chegando no cruzamento da alameda Santos, o farol fechou. Diminuí a velocidade e parei bem rente à faixa de pedestre. Algumas pessoas atravessavam na faixa apressadamente. De repente percebi a sua presença.
Ele vinha andando com um ar desconfiado, olhando de soslaio para os lados. A camisa larga fora da calça conseguia disfarçar um pouco o volume que ele trazia na cintura.

Ele veio em minha direção. Logo percebi o que estava para acontecer. Meus batimentos cardíacos aceleraram, uma descarga de adrenalina inundou o meu corpo. Ele colocou a mão debaixo da camisa e empunhou a arma, apontando-a para a minha cabeça pelo lado de fora da janela do carro.

O som estava um pouco alto e não conseguia identificar exatamente o que ele vociferava do lado de fora. Seus olhos estava injetados.

- A carteira…. passe o relógio… rápido, rápido…vou te apagar…filho da puta…tem seis aqui pra você…

Minha boca secou. Fiquei sem ação, com as mãos no volante, esperando. Aqueles segundos pareciam uma eternidade. Ele continuava a falar, insistindo até perder a paciência.

O primeiro disparo veio acompanhado de vários palavrões.

- Pou!
- Toma um pipoco seu desgraçado…
- Vou te matar…filho da puta…
- Pou! Pou!

O sinal abriu. A blindagem da janela resistiu bem aos três disparos. Ele saiu em disparada. Acelerei o carro e segui em frente. Agora preciso arrumar um jeito de blindar os olhos também.




domingo, 29 de junho de 2008

VAN MORRISON - STILL ON TOP


Tenho passado bom tempo ouvindo esse CD Duplo de Van Morrison durante minhas andanças no trânsito de São Paulo. Com as maravilhas da tecnologia, coloco um pen drive no aparelho de som do carro e posso ouvir mais de 100 músicas em MP3 direto.

O CD tem 37 músicas, que procuram resumir os mais de quarenta anos de carreira desse irlandês, nascido em Belfast, que iniciou sua carreira ainda na adolescência. Sua voz única e interpretação arrebatada chamou a atenção nos anos 60 com a banda Then. Com 23 anos gravou um dos seus melhores álbuns, Astral Weeks e vem repetindo seus discos com sucesso até hoje.

A coletânea passa pelas principais fases: soul, R&B, blues, country, folk, jazz e apresenta as canções mais conhecidas e mais acessíveis da obra de Morrison como “Baby Please Don't Go” e “Gloria”, regravada por The Doors e Patti Smith, entre outros. “Brown Eyed Girl” de 1967, também está lá, afinal é a faixa mais popular da carreira de Morrison.

domingo, 22 de junho de 2008

MUSICA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA



A Discoteca Oneyda Avarenga do Centro Cultural São Paulo tem um dos maiores e mais formidáveis acervos musicais do País, abrangendo um período que vai de 1902 a 1960, incentivando a difusão da música em todas as suas vertentes, inclusive com um projeto dedicado à musica erudita contemporânea. Dentro desse projeto, a gravação e edição de um catálogo completo com obras de Edino Krieger, Gilberto Mendes, Edmundo Villani-Côrtes, Almeida Prado e Rodolfo Coelho de Souza, mostrando o alto grau de qualidade das vertentes da música contemporânea. Cada compositor ganhou dois livros, um deles contando sua trajetória, musicografia completa e um CD com obras atuais inéditas, e o outro com partituras de algumas de suas obras mais expressivas e também inéditas.

Edino Krieger, natural de Brusque, Santa Catarina e iniciou seus estudos de violino aos sete anos com seu pai, o compositor, regente e violinista Aldo Krieger. Aos 20 anos conquistou o 1º lugar no Concurso para Jovens Compositores da América Latina. Sempre esteve no centro das discussões sobe os rumos da cultura brasileira, dividida entre nacionalismo e internacionalismo, popularidade e vanguarda, dodecafonia e tonalismo. Criou obras baseadas em poemas de Castro Alves, Manoel Bandeira, Nicolás Guillén, Carlos Drummond de Andrade. Tem em seu currículo inúmeros prêmios e cargos importantes no cenário musical ao longo da sua carreira, como o de presidente da Academia Brasileira de Música.


CD - Quarteto de Cordas nº 1; Balada do Desesperado; Desafio; Canción China a dos Voces; Três Sonetos de Drummond: os poderes infernais; Três Sonetos de Drummond: Carta; Três Sonetos de Drummond: Legado.


Partituras – Tem piedade de mim (para canto e piano); Canción China a dos Voces (para canto e piano); Canción del Regresso (para canto e piano); El Negro Mar (para canto e piano); Balada do Desesperado (para canto e piano); Tu e o Vento (para canto e piano); Desafio (para canto e piano); Canção do Violeiro (para canto e piano); Três Sonetos de Drummond (para canto e piano); Silêncios (para canto e piano); Estudos intervalares (para piano solo).


Gilberto Mendes nasceu em Santos, São Paulo, e iniciou seus estudos musicais aos 18 anos. Foi um dos signatários do Manifesto Música Nova na Revista de Artes e Invenções, em 1963, que propunha uma nova música brasileira. Foi um dos pioneiros nos campos da aleatoriedade, música microtonal e concreta, com novas notações musicais, visuais e teatrais. Fundou, em 62, o Festival Música Nova de Santos, considerado o mais antigo festival de música contemporânea em todas as Américas.


CD - Episódio; A hora Cinzenta; Felicidade I; Felicidade II; Ingratidão; Adolescência; Confusão; Sugestões de Crepúsculo; Sonho Póstumo; Peixes de Prata; A Tecelã; Lamento; Canção Simples; Lagoa; Desencanto; Dizei, Senhora; A Mulher e o Dragão; Poeminha Poemeto Poemeu Poesseu Poessua da Flor; O Trovador; Finismundo; a última viagem – parte I; Anatomia da Musa; Fenomenologia da Certeza; Sol de Maiakovski; Tv Grama I (Tombeau de Malarmé); Desencontros, à memória de Kurt Weil, à lembrança de Gilberto Mendes; Luz Mediterrânea: no olvido do tempo; O Pai do Universo; Amplitude; Mais uma vez; A Festa.


Partituras – Para Canto e Piano - A Festa; A hora Cinzenta; A Mulher e o Dragão; A Tecelã; Adolescência; Amplitude; Anatomia da Musa; Canção Simples; Confusão; Desencanto; Desencontros; Dizei, Senhora; Episódio; Felicidade I; Felicidade II; Fenomenologia da Certeza; Finismundo; Ingratidão; Lagoa; Lamento; Luz Mediterrânea: no olvido do tempo; Mais uma vez; O Trovador; Pai do Universo; Peixes de Prata; Poeminha Poemeto Poemeu Poesseu Poessua da Flor; Sol de Maiakovski; Sonho Póstumo; Sugestões de Crepúsculo; Tv Grama I.

Edmundo Villani-Côrtes é mineiro de Juiz de Fora e teve seus primeiros contatos musicais em sua própria casa por meio de seu pai que era flautista amador. Aprendeu violão e piano e, quando se transferiu para o Rio de Janeiro, passou a tocar em rádios e em boates noturnas. Estudou composição de forma não sistemática devido a sua atividade como pianista na noite e em programas de TV, tendo recebido orientações de Koellreutter e Camargo Guarnieri, porém conservando um estilo próprio. Tem mais de 300 obras para várias formações e mais de 400 CDs gravados em países como Japão, França, Inglaterra, Itália, USA e Brasil.

CD - Sonata para violino e piano “Encantada”; Luz para violino e piano; Águas para violino e piano; Sonata para viola e piano, Interlúdio nº 5 para viola e Piano; Contemplativo para violoncelo e piano, Royati; Caratinguê.


Partituras – Águas Claras (para violino e piano); Caratinguê (para violino, viola, violoncelo, contrabaixo e piano); Contemplativo (para violoncelo e piano); Interlúdio V (para viola e piano); Luz (para violino e piano).


Almeida Prado também nascido em Santos, São Paulo, é considerado, e com razão, um dos expoentes da criação musical brasileira da atualidade. Sem renunciar aos ensinamentos do mestre Camargo Guarnieri, contatos com grandes expoentes da música européia abriram novas perspectivas para Almeida Prado, ampliando seus horizontes e estimulando a sua imaginação criadora e a sua forte personalidade musical. Suas obras são as mais consistentes e volumosas da criação musical brasileira de hoje, tendo a ecologia e a religiosidade como referencias permanentes.


CD - Sonata para violino e piano nº 1; Sonata para violino e piano nº 2; Sonata para violino e piano nº 3; Cantiga da Amizade; Sonatina para violino e piano; Diálogos; Balada para violino e piano “B’nai brith”.


Partituras – Balada “B’nai brith” para violino e piano; Cantiga da Amizade para violino e piano; Diálogo para violino e piano; Sonata nº 3 para violino e piano.


Rodolfo Coelho de Souza é paulistano e estudou composição com Olivier Toni, orquestração com o Cláudio Santoro e música eletrônica com Conrado Silva. Aos sete anos iniciou seus estudos de piano e largou logo em seguida. Aos 14 anos retornou seus estudos musicais por meio do violão iniciando já suas primeiras composições. Sua carreira construtivista e a aplicação de técnicas seriais em suas composições foram moldando suas obras. Sempre buscando a inovação e a inventividade, o compositor expandiu suas obras mesclando instrumentos com sons eletrônicos. Criou poema sinfônico baseado no livro de poemas Galáxias de Haroldo de Campos e o ciclo Tristes Trópicos que lhe renderam prêmios e bolsas internacionais. Em 2002, um dos destaques é o Concerto para Computador e Orquestra executado pela Orquestra Sinfônica do Paraná.


CD - Tristes Trópicos; Chiaroscuro; Estudo nº 1 para violão em quartos de tom; Diálogos para marimba e vibrafone; Divertimento para flauta e piano; Serenata para flauta e quarteto de cordas; Invenções sobre um tema de Gilberto Mendes para Orquestra Sinfônica; O Círculo Mágico, para Percussão e Sons Eletrônicos.


Partituras – Serenata para flauta e quarteto de cordas; Diálogos para marimba e vibrafone.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

VAI QUE É SUA PARAGUAI!



Toda vez que a seleção brasileira vai jogar cria-se uma expectativa de show, de ver lances geniais, dribles desconcertantes, pedaladas mágicas etc., afinal temos cinco estrelas estampadas na camisa, coisa que nenhuma seleção no mundo tem. Os adversários devem “tremer” quando estiverem frente a frente com o escrete canarinho e devem “perder” o jogo, esta é a ordem natural das coisas.

Só que nem sempre o adversário é avisado disso e, nos últimos tempos, tem ignorado essa nossa “superioridade” e feito o que deveríamos fazer quando entramos em campo: marcar gols. O espetáculo deve ser bonito, mas se não balançar a filó não adianta. O que vale no futebol é bola na rede! E o Paraguai soube fazer isso e conquistar seus três pontos na luta pelas vagas da próxima Copa do Mundo. O famoso locutor da Globo, conhecidos pelas pérolas que cria com seus comentários, dizia a todo momento que o “Brasil não pode jogar como time pequeno, ficar acuado esperando o Paraguai atacar…” E o Paraguai atacou, empurrado pela sua torcida e conseguiu marcar dois gols em uma seleção apática, sem brilho, que no segundo tempo resolveu jogar ofensivamente. Mas já era tarde.

Acredito que a nossa seleção e também a dos Hermanos estão passando por um ataque de soberba: “somos os melhores e as outras seleções dos países da América Latina não são páreo para nós”. A Argentina penou para empatar com o Equador ontem, marcando seu gol redentor já na prorrogação do segundo tempo.

Dunga teve a sua era quando ainda defendia a seleção dentro das quatro linhas . Agora tenta se firmar como técnico mas pelo jeito que as coisas andam, logo o seu reinado fora de campo será esquecido. Os milhões de técnicos que habitam o Brasil não irão perdoar mais uma derrota e já estão sacando suas escalações que vão fazer o Brasil voltar aos tempos de glória, com os lances geniais mas, sobretudo, com bola na rede, com gols, muitos gols.

Na quarta-feira teremos as duas maiores seleções do mundo se enfrentando. As duas muito aquém do brilho de outros tempos. O Brasil vindo de duas derrotas e a Argentina de dois empates. Teremos o apoio de nossa torcida, enchendo o estádio do Mineirão e estaremos torcendo para que, pelo menos, não sejamos derrotados pelos nossos arquirivais.

Um fracasso contra a Argentina em pleno Mineirão com certeza irá desencadear uma crise sem precedentes na CBF. Já ouvi até comentários de que a ida do Felipão para o Chelsea é apenas uma ponte para que ele volte a comandar a seleção canarinho novamente, colocando um ponto final na “Era Dunga” fora dos gramados.